Reflexões sobre a Informática Educativa
Alba Maria Lemme Weiss
Pedagoga,
Psicóloga, Mestre em Educação, professora universitária UNESA/Petrópolis,
com atuação em psicopedagogia clínica, educação especial e informática educativa.
Co-Autora do livro "A Informática e os problemas escolares de aprendizagem"
aweiss@openlink.com.br
A função principal da Escola é ter como produto a construção do conhecimento. Como
instituição social, deve promover o acesso aos saberes e formas culturais da sociedade a
que pertence. Desta forma, a tecnologia, e particularmente a informática não podem ser
excluídas deste contexto, principalmente se levarmos em conta que a criança e o jovem da
atualidade já são criados imersos neste mundo tecnológico. O mundo contemporâneo é
sustentado pela tecnologia que está presente em todos os momentos de nossa vida, seja
diretamente, seja na utilização e consumo de bens e serviços produzidos a partir desta
tecnologia.
Desta forma, a escola como promotora de conhecimento não pode funcionar como alienada da
sociedade, deixando de criar condições para a apropriação crítica desta tecnologia,
correndo o risco de condenar seus membros a uma forma de "analfabetismo".
A informática vem sendo incorporada pela escola com distintos objetivos e de diferentes
formas. A escola deve refletir primeiro sobre qual perspectiva vai incorporar tal
tecnologia: como informática educativa ou como aula de computação? Se a busca da escola
vier somente motivada por uma situação mercadológica, sem muita reflexão sobre as
potencialidades e limitações da informática, corre o risco de, a título de
"preparar para o mercado de trabalho", dar apenas aulas de computação,
formando digitadores e programadores, atuando como qualquer cursinho.
Na era da informação e da comunicação, onde o mundo globalizado se atualiza a cada
segundo, onde cada vez mais o acesso às informações é ampliado e com custo menor, há
de se questionar qual a maior importância: informação ou formação ? As necessidades
do mercado de trabalho mudam com muita rapidez e o diferencial no sujeito será a sua
capacidade de aprender, de cooperar, de ser flexível e criativo diante de novas
situações.
Desta forma, cabe questionar o uso da informática: Informática Educativa x
Burocratização Escolar. Utilizar o computador fazendo com que seja apenas mais uma
disciplina a ser cumprida, com nota, prova teórica, significa reforçar os meios já
desgastados da escola, burocratiza-se mais esta oportunidade de transformação da
educação escolar. Já a informática educativa aqui defendida, utiliza o computador como
um recurso num meio transformador do ambiente de aprendizagem, com a exploração viva e
empolgada de alunos e professores, através das possibilidades deste instrumento em buscar
diferentes caminhos de resolução de problemas de forma rápida, integrada e motivante,
rompendo fronteiras entre os diferentes conteúdos curriculares.
Para
alcançar sua possibilidade transformadora, a informática educativa deve ser amplamente
debatida, elaborada e vivenciada com a comunidade escolar, sendo inserida dentro de um
Projeto Pedagógico, onde professores, técnicos, direção e alunos atribuam sentido a
sua introdução. Desta forma, a informática e outros recursos tecnológicos podem ser
inseridos transversalmente e de forma crítica dentro do contexto significativo das áreas
do conhecimento e ao mesmo tempo, instrumentalizando de forma geral o manejo crítico
destes instrumentos.
Mais especificamente, como um meio, como um instrumento pedagógico, a informática
estará atuando no acesso e coordenação de informações e de banco de dados e
fundamentalmente, mediada sempre pelo professor problematizador, poderá ser um forte
agente no processo de construção e reconstrução do conhecimento.
Para referência desta página:
WEISS, Alba Maria Lemme. Reflexões sobre a Informática Educativa. Visão
Educacional, Rio de Janeiro, 2004. Disponível em:<http://www.visaoeducacional.com.br/visao_educacional/artigo3.htm>Acesso
em: ___/____/___.

|