Durante entrevistas com a coordenadora pedagógica da escola onde trabalho, um casal
questionou o uso da informática no jardim I. Fiquei muito contente com este
questionamento e expliquei para eles a maneira como trabalho, defendendo o que acredito e
o que procuro fazer.
O computador,
no meu ponto de vista, serve para no caso da educação infantil, brincar e aprender,
reforçar conteúdos sim, por que não? cores, formas, números - e fazer pensar. Quando a
criança usa o software Coelho Sabido, por exemplo, ela tem que pensar nos caminhos que
irá escolher, pois cada escolha a levará para outros desafios, outros caminhos e, além
disso, terá que saber o caminho de volta. Gera uma rede de informações.
Quando a criança faz um labirinto, ela tem que antes pensar no
caminho que irá escolher para poder acertar e é muito interessante quando pega o
"dedinho" e fica levantando hipóteses deste caminho. Está neste momento
construindo seu conhecimento. Falando assim parece óbvio, mas na verdade elas possuem
muitas dificuldades em um simples labirinto.
Já apresentei 3
propostas de informática educativa para a escola onde trabalho.
E informática educativa,
segundo Linhares, (Novas Tecnologias - Educação e Sociedade na Era da Informação)
"se caracteriza como um suporte ao educador, como um instrumento a mais em sua
sala de aula, sendo que o mesmo pode utilizar os recursos colocados a sua disposição
para ajudar o aluno a construir novos conhecimentos. Nesse nível, o computador é
explorado pelo educador em sua potencialidade e capacidade, tornando possível praticar e
vivenciar situações fundamentais para a construção do conhecimento pelo aluno.
Portanto, a informática assume
um papel importante na educação quando se coloca a serviço da mesma".
Trabalhamos o software do
Ursinho Pooh, onde as crianças puderam ouvir uma história e fazer comentários sobre ela
(eu poderia muito bem ter usado um livro), em seguida ainda no contexto da história, pedi
para as crianças desenharem a parte que mais gostaram (na verdade o que eu queria era
saber se elas entenderam e gostaram da história). Foi muito legal pois elas amaram a
parte da cozinha, para minha surpresa! Enquanto ouviam e conversavam sobre a história, o
vocabulário era trabalhado por elas.
Aproveitando as Olimpíadas,
ressaltamos o trabalho em equipe, trabalhamos com o projeto "Passar
o Mouse para o Amigo" cujo
objetivo era confeccionar um jogo da memória no concreto usando os recursos do
computador. Cada criança desenhou no paint brush o seu mouse, imprimimos e colorimos com
canetinhas. Depois colamos num papelão com contact e o jogo da memória estava
pronto! Mais uma vez tivemos a
oportunidade de trabalhar valores como amizade, solidariedade, paciência e respeito.
Hoje, 04 de outubro, por
exemplo, fizemos uma oficina de informática e mais uma vez saímos do cotidiano da sala
de informática. Fomos para o terraço assistir a história de uma morceguinha,
Stellaluna, que se perdeu da mãe, passou a viver em um ninho de passarinhos. Com eles,
aprendeu coisas novas, como ficar acordada durante o dia e dormir à noite, comer
gafanhotos, e ensinou coisas novas - dormir de cabeça para baixo. Todos aprenderam uma
importante lição sobre diferenças, igualdades e, principalmente, sobre amizade. As
crianças adoraram e vão dar continuidade ao projeto em sala de aula com suas
professoras. Conseguimos integrar todos neste projeto: aluno, informática (meio) e, principalmente, professor. Foi
bastante produtivo!
Trabalhamos com o projeto
"Auto-Retrato", onde as crianças puderam se reconhecer, se
identificar e vivenciar, através de um "espelho", algumas características. Usamos o software "Caras e Bocas" e
eles se desenharam do jeitinho que são...Foi muito interessante para eles e para mim
também conhecer um pouco mais de cada um, estabelecer as diferenças entre eles e se
respeitarem na sua forma de ser. Novamente o computador viabilizou de uma maneira atraente
esse trabalho, mas eu poderia também ter usado somente o lápis colorido e a folha de papel.
Por isso sou a favor da
informática como uma ferramenta na educação infantil. Sem
exageros, sem forçar a criança a nada...aprendendo e brincando naturalmente...Sou a
favor do parquinho, da caixa de areia, dos jogos simbólicos, do pique, da amarelinha, etc... E coloco a
informática nesse meio, entre as brincadeiras saudáveis de criança.
O computador é uma realidade e desta
forma não estamos impondo para a criança, mas sim apresentando esta maravilhosa
ferramenta, fazendo com que as crianças se familiarizem com o computador, que
troquem experiências, que
saibam dividir o mouse, que construam o conhecimento, que se socializem...que não fiquem
excluídas nessa tal de "pos-modernidade!".