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Artigo:

Pela Valorização do Profissional de
Tecnologia Educacional na Escola

Engenheiro de computação com mestrado em Geociências (Unicamp), professor
universitário em cursos de Comunicação e Informática e sócio da empresa
RCT Computadores na Escola Ltda.
Prof. Ronaldo Barbosa
dinobrasilis@yahoo.com.br

      

        Manter o laboratório de informática (ou sala de computadores?) de uma escola em funcionamento é, por si mesmo, um verdadeiro desafio. Depende de instalações adequadas, preparação de professores, seleção de softwares, constante renovação de equipamentos, entre outros fatores que tomam tempo, energia e recursos que, muitas vezes, a escola não está preparada para enfrentar. Por esse motivo muitas escolas públicas simplesmente abandonam seus laboratórios enquanto as particulares terceirizam as aulas de informática. Uma empresa terceirizada pode fornecer à escola computadores, softwares, metodologia e até mesmo o professor.


  
    Entretanto, seja qual for a estratégia escolhida, implantar a informática na escola implica uma série de escolhas: se entrará como uma disciplina curricular; se terá uma ementa própria diferente para cada nível de ensino ou se servirá como suporte a projetos das disciplinas tradicionais em cada série. Neste último caso, será necessário uma maior interação entre o profissional de tecnologia educacional encarregado do laboratório e os demais professores.

      Segundo pesquisas na área, não é adequado que a informática na escola seja configurada nos moldes de uma disciplina tradicional.

        Nessa linha, por exemplo, alunos da 7a. série em lugar de terem aulas técnicas de como operar o PowerPoint (como fariam em um "curso livre"), poderiam criar apresentações em computador sobre conteúdos trabalhados em Ciências ou História. Se o professor de História estivesse iniciando o assunto Revolução Industrial, por exemplo, poderia solicitar aos alunos um trabalho sobre as máquinas daquele período na forma de uma apresentação. O professor de História poderia então acompanhar os alunos no laboratório, mediar essa produção e dar sugestões quanto à forma e conteúdo dos trabalhos..em resumo, a aula de História aconteceria no laboratório de informática e, por esse motivo, poderia interessar mais aos alunos. Como pré-requisitos, o professor precisaria conhecer a ferramenta e ter garantido um mínimo de apoio: infra-estrutura adequada, equipamentos funcionais em número suficiente e softwares instalados.

       A preparação desse cenário incluindo até sugestões para planejamento das atividades caberia ao especialista em tecnologia educacional ou professor de informática, profissional interessado em estimular cada vez mais a autonomia e independência dos professores. No exemplo anterior, o profissional de tecnologia educacional poderia orientar inclusive a direção da escola para substituir o pacote Office/PowerPoint pelo pacote OppenOffice que é gratuito e vem sendo adotado cada vez mais por grandes empresas mas parece não ter sido descoberto ainda pelas escolas.

      Apesar de alguns avanços, o profissional de tecnologia educacional ainda é pouco valorizado o que resultaria, talvez, de uma situação contraditória.

       À medida que procura caminhos para que os demais professores utilizem de forma autônoma a sala de informática, se arrisca a perder seu próprio espaço e ser visto como um técnico que não necessita de qualificação especial. Prefere então manter-se como professor nos moldes tradicionais.

      A desvalorização resulta também da inexistência de cursos de graduação específicos para formar especialistas em tecnologia educacional ou mesmo cursos de pós graduação que ainda hoje são raros. Mesmo nos cursos de licenciatura tradicionais ou nos de Pedagogia, sabemos que há poucas disciplinas que ajudem a preparar os professores no uso das novas tecnologias. Sem profissionais qualificados, é mais difícil operar as grandes mudanças prometidas pela tecnologia na escola ainda que os professores das disciplinas tradicionais estejam interessados no assunto e queiram participar desse processo. Mas esses ainda não são maioria.

        A maior parte dos professores ainda não despertou para o que o uso do computador pode representar, por exemplo, diminuindo distâncias entre professor e aluno, horizontalizando as relações de poder e criando oportunidades para novas experiências.

      Acreditamos também que o papel do profissional de tecnologia educacional na escola ainda não foi bem compreendido porque a comunidade escolar desconhece a complexidade de suas funções.  O profissional se depara com duas situações bastante conflituosas: lidar com professores que raramente têm tempo e disposição para planejar as aulas do laboratório, que preferem a segurança de resolver exercícios com giz e lousa do que se arriscar em atividades que tomarão ainda mais do seu escasso tempo sem que ele receba nada mais por isso. Ou, por outro lado, ter que convencer a direção da escola de que a compra de computadores é só parte de um novo leque de gastos em outras áreas: licenciamento e atualização de softwares originais e preparação dos professores para o uso desse material, por exemplo.

        À medida que crescer o reconhecimento do profissional de tecnologia educacional, seja ele especialista, professor, técnico ou monitor de informática, acreditamos que muitas das mudanças positivas prometidas há tanto tempo pelo uso de novas tecnologias na escola poderão finalmente começar a ocorrer.


Para referência desta página:
BARBOSA, Ronaldo. Pela Valorização do Profissional de Tecnologia Educacional na Escola. Visão Educacional, Rio de Janeiro, 2006. Disponível em:<
http://www.visaoeducacional.com.br/visao_educacional/artigo7.htm>Acesso em: ___/____/___.

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