Manter o laboratório de informática
(ou sala de computadores?) de uma escola em funcionamento é, por si mesmo, um verdadeiro
desafio. Depende de instalações adequadas, preparação de professores, seleção de
softwares, constante renovação de equipamentos, entre outros fatores que tomam tempo,
energia e recursos que, muitas vezes, a escola não está preparada para enfrentar. Por
esse motivo muitas escolas públicas simplesmente abandonam seus laboratórios enquanto as
particulares terceirizam as aulas de informática. Uma empresa terceirizada pode fornecer
à escola computadores, softwares, metodologia e até mesmo o professor.
Entretanto,
seja qual for a estratégia escolhida, implantar a informática na escola implica uma
série de escolhas: se entrará como uma disciplina curricular; se terá uma ementa
própria diferente para cada nível de ensino ou se servirá como suporte a projetos das
disciplinas tradicionais em cada série. Neste último caso, será necessário uma maior
interação entre o profissional de tecnologia educacional encarregado do laboratório e
os demais professores.
Segundo pesquisas na
área, não é adequado que a informática na escola seja configurada nos moldes de uma
disciplina tradicional.
Nessa linha, por exemplo, alunos da 7a.
série em lugar de terem aulas técnicas de como operar o PowerPoint (como fariam
em um "curso livre"), poderiam criar apresentações em computador sobre
conteúdos trabalhados em Ciências ou História. Se o professor de História estivesse
iniciando o assunto Revolução Industrial, por exemplo, poderia solicitar aos alunos um
trabalho sobre as máquinas daquele período na forma de uma apresentação. O professor
de História poderia então acompanhar os alunos no laboratório, mediar essa produção e
dar sugestões quanto à forma e conteúdo dos trabalhos..em resumo, a aula de História
aconteceria no laboratório de informática e, por esse motivo, poderia interessar mais
aos alunos. Como pré-requisitos, o professor precisaria conhecer a ferramenta e ter
garantido um mínimo de apoio: infra-estrutura adequada, equipamentos funcionais em
número suficiente e softwares instalados.
A preparação desse cenário incluindo até
sugestões para planejamento das atividades caberia ao especialista em tecnologia
educacional ou professor de informática, profissional interessado em estimular cada vez
mais a autonomia e independência dos professores. No exemplo anterior, o profissional de
tecnologia educacional poderia orientar inclusive a direção da escola para substituir o
pacote Office/PowerPoint pelo pacote OppenOffice que é gratuito e vem sendo
adotado cada vez mais por grandes empresas mas parece não ter sido descoberto ainda pelas
escolas.
Apesar de alguns avanços, o profissional de
tecnologia educacional ainda é pouco valorizado o que resultaria, talvez, de uma
situação contraditória.
À medida que procura caminhos para que os
demais professores utilizem de forma autônoma a sala de informática, se arrisca a perder
seu próprio espaço e ser visto como um técnico que não necessita de qualificação
especial. Prefere então manter-se como professor nos moldes tradicionais.
A desvalorização resulta também da
inexistência de cursos de graduação específicos para formar especialistas em
tecnologia educacional ou mesmo cursos de pós graduação que ainda hoje são raros.
Mesmo nos cursos de licenciatura tradicionais ou nos de Pedagogia, sabemos que há poucas
disciplinas que ajudem a preparar os professores no uso das novas tecnologias. Sem
profissionais qualificados, é mais difícil operar as grandes mudanças prometidas pela
tecnologia na escola ainda que os professores das disciplinas tradicionais estejam
interessados no assunto e queiram participar desse processo. Mas esses ainda não são
maioria.
A maior parte dos professores ainda não
despertou para o que o uso do computador pode representar, por exemplo, diminuindo
distâncias entre professor e aluno, horizontalizando as relações de poder e criando
oportunidades para novas experiências.
Acreditamos também que o papel do
profissional de tecnologia educacional na escola ainda não foi bem compreendido porque a
comunidade escolar desconhece a complexidade de suas funções. O profissional se
depara com duas situações bastante conflituosas: lidar com professores que raramente
têm tempo e disposição para planejar as aulas do laboratório, que preferem a
segurança de resolver exercícios com giz e lousa do que se arriscar em atividades que
tomarão ainda mais do seu escasso tempo sem que ele receba nada mais por isso. Ou, por
outro lado, ter que convencer a direção da escola de que a compra de computadores é só
parte de um novo leque de gastos em outras áreas: licenciamento e atualização de
softwares originais e preparação dos professores para o uso desse material, por exemplo.
À medida que crescer o reconhecimento
do profissional de tecnologia educacional, seja ele especialista, professor, técnico ou
monitor de informática, acreditamos que muitas das mudanças positivas prometidas há
tanto tempo pelo uso de novas tecnologias na escola poderão finalmente começar a
ocorrer.