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A Escola na Sociedade da
Informação: Qual o Papel?
Prof.
Wagner Antonio Junior
Pedagogo e professor universitário, pesquisador na área de Educação
e Tecnologias.
E-mail: wag.antonio@gmail.com
Ao longo da história da
humanidade, os avanços tecnológicos sempre foram responsáveis por
transformações nos mais diversos campos de atividades. Hoje, o
desenvolvimento informacional e técnico está modificando a sociedade
sob diversos ângulos, e a educação não poderia ficar alienada neste
processo. As novas tecnologias da informação e da comunicação vêm
desafiando a humanidade pelas transformações econômicas, sociais e
políticas globalizadas, em um processo irreversível e cada vez mais
acelerado. Para melhor visualizarmos os impactos das tecnologias na
cultura contemporânea devemos dirigir nosso olhar para a educação
como um processo complexo, inacabado e em permanente evolução.
Na atual sociedade, denominada
“sociedade da informação”, constituída por influência decisiva dos
meios de comunicação, as culturas, os processos educacionais e as
competências requeridas passam por uma crise de significados sem
precedentes. Neste contexto, damos destaque à rede mundial de
computadores, que possibilita um fluxo de informações em diversos
níveis. Tais informações não se atém somente à palavra escrita, mas
constituem grande diversidade. São elas: textos, gráficos, som ou
imagens, arquivos de áudio ou vídeo. Elas transformam nossa relação
com o espaço e com o tempo numa velocidade nunca antes vivenciada,
dando-nos uma nova percepção de mundo, no qual nossos
relacionamentos, inclusive com os saberes, convertem-se em espaços
de fluxos, criando e desfazendo verdades, competências e
habilidades.
A partir do rompimento
dos padrões espaciais em redes interativas, o “espaço de fluxos”
passou a substituir o “espaço de lugares” (CASTELLS, 2000). A
inovação reside na organização corporal das seqüências de
intercâmbio e interações intencionais, suporte das práticas sociais
de tempo compartilhado. Este espaço imaterial de fluxos realiza um
processo de desmaterialização das relações sociais e educacionais
conectadas em rede. O que antes era concreto e palpável adquire uma
dimensão imaterial na forma de impulsos eletrônicos.
O virtual é uma nova modalidade de
ser, cuja compreensão é facilitada se considerarmos o processo que
leva a ele: a virtualização. “O real seria da ordem do ‘tenho’,
enquanto o virtual seria a ordem do ‘terás’, ou da ilusão, o que
permite geralmente o uso de uma ironia fácil para evocar as diversas
formas de virtualização” (LÉVY, 1996, p. 15).
O “lugar virtual” está
apoiado em quatro eixos primordiais, que são: o tempo-real, a
desterritorialidade, imaterialidade e interatividade. Tais aspectos
possibilitam relações sociais simultâneas e acesso imediato a
qualquer parte do mundo, inaugurando uma nova percepção do tempo, do
espaço e das relações sociais. É no lugar virtual que se pode
experimentar, solitariamente, uma nova sociabilidade, compartilhando
um lugar simbólico e marcado por novas relações.
Neste novo século, a
sociedade se caracteriza pela vasta quantidade de informação em
fluxo e por seu conseqüente acesso, bem como a acelerada alteração e
atualização da informação. Neste contexto, a familiarização com
novas tecnologias da informação e a contínua atualização de
conhecimentos serão necessários, potencializando ainda mais a
influência da tecnologia sobre diversos aspectos da atividade humana
relacionados à aprendizagem.
A educação contemporânea
mostra que os atuais paradigmas não atendem mais o momento atual,
visto a velocidade e quantidade de informações. Como o conhecimento
tornou-se dinâmico, precisamos fazer novas conexões de fatos e
informações, pois tudo está sistematizado. Os meios de produção
mudaram para o paradigma da produção enxuta em lugar da produção em
massa. Essa nova visão mostra a necessidade de um perfil
diferenciado de cidadão para conviver na sociedade da informação e
da tecnologia.
Torna-se importante,
então, distinguirmos informação e conhecimento. A informação é a
matéria-prima ainda não processada. Já o conhecimento seria a
sistematização destas informações em saberes. Na segunda parte do
século XX houve uma crescente especialização nas escolas, fazendo
com que os conhecimentos fossem menos amplos que no passado, mas com
uma maior profundidade. Hoje, é necessária uma menor preocupação com
a acumulação do conhecimento, com sua construção a partir de
informações que devem ser pesquisadas dentro de contextos
significativos e reflexões críticas.
Atualmente, a velocidade
com que circulam e são produzidas as informações, os conhecimentos
passam a ser constantemente revistos, modificados ou sistematizados.
O avanço das técnicas de comunicação ampliou notavelmente o alcance
de conhecimentos compartilháveis.
Na sociedade da
informação, a disseminação de novos paradigmas científicos aliados à
presença de uma economia globalizada, assim como o crescente avanço
das tecnologias digitais, exigem respostas coerentes de todo
segmento educacional. Percebemos que o ato pedagógico precisa ser
analisado e revisto de forma estrutural em suas concepções
epistemológicas, na reformulação dos currículos e, principalmente,
nas abordagens didáticas.
As tecnologias
intelectuais da pós-modernidade – com seus suportes hipertextuais,
interconectados, reticulares, interativos e múltiplos – questionam a
escola e sua compartimentalização disciplinar, suas grades
curriculares tão pouco propícias ao diálogo entre os saberes. O
mundo digital no qual cada navegante é um autor de seus próprios
percursos, questiona a escola e sua incapacidade de
personalização... (RAMAL, 2002, p. 15).
Assim a internet,
conectada a outras possibilidades digitais permite o acesso a bancos
de informação que se proliferam geometricamente no ciberespaço.
Nesse contexto, os professores devem assumir posturas novas e
diferenciadas, ensinando e levando o educando à aprendizagem de
forma colaborativa, na investigação e na pesquisa às informações
existentes na rede.
A abordagem pedagógica
da aprendizagem colaborativa e a distância vem ganhando força cada
vez maior, constituindo-se na modalidade educacional apropriada,
para atividades coletivas em redes de produção de conhecimento nos
meios digitais de comunicação, como a Internet. Como conhecimento é
visto como uma construção social, o processo educativo via
ciberespaço é favorecido pela participação social em um ambiente que
propicia a colaboração, a avaliação e o acesso a infinitos saberes
universais, não totalizáveis e ricos em possibilidades que propiciam
uma visão mais ampla do objeto de estudo, amplificando, assim, a
aprendizagem individual de cada membro do grupo.
O aprendizado colaborativo,
mediado pelas tecnologias interativas de informação e comunicação,
vem de encontro à sociedade da informação como possibilidade no
atendimento às demandas advindas das novas relações e percepções da
realidade e produção de conhecimento. Os desafios, as ameaças e as
possibilidades características da contemporaneidade exigirão, cada
vez mais, o desenvolvimento de abordagens pedagógicas capazes de
desenvolver competências e habilidades e, conseqüentemente,
resoluções de problemas.
Atualmente, as demandas
educacionais não estão sendo atendidas a contento pela relação da
prática didático-pedagógica tradicional com as novas formas de
comunicação. Todos no sistema escolar devem estar preparados para
dominar os meios técnicos e incorpora-los a uma prática pedagógica
transformadora, cujo principal objetivo é formar um cidadão autônomo
e participativo com capacidade crítica e criadora diante dos
desafios que se apresentam a cada dia, de forma mais dinâmica e
veloz. Devemos pensar em uma formação docente que considere a
existência do ciberespaço e sua influência na disseminação de
informações. Partindo dessa formação, a reflexão dos novos contornos
que a escola vem adquirindo e o papel do educador diante desta
realidade.
Acredita-se que esse tema deve ser
refletido pelos educadores, uma vez que a inserção das tecnologias
na sociedade contemporânea já é uma realidade imposta e que vai além
das formas tradicionais e estáticas de produção de conhecimento.
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede. 3.ed. São Paulo: Paz e Terra,
2000.
LÉVY, Piérre.
Cibercultura. São Paulo: Editora 34, 1999.
______. O que é o virtual? São Paulo: Editora 34, 1996.
RAMAL, Andréa Cecília. Educação na cibercultura: hipertextualidade,
leitura, escrita e aprendizagem. Porto Alegre: Artmed, 2002.
Para referência desta
página:
JUNIOR, Wagner Antonio.
A Escola na Sociedade da Informação: Qual o Papel?. Visão
Educacional, Rio de Janeiro, 2008. Disponível em:<http://www.visaoeducacional.com.br/visao_educacional/artigo8.htm>
Acesso em: ___/____/___.
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