Ao longo da história da humanidade, os avanços tecnológicos sempre foram responsáveis
por transformações nos mais diversos campos de atividades. Hoje, o desenvolvimento
informacional e técnico está modificando a sociedade sob diversos ângulos, e a
educação não poderia ficar alienada neste processo. As novas tecnologias da
informação e da comunicação vêm desafiando a humanidade pelas transformações
econômicas, sociais e políticas globalizadas, em um processo irreversível e cada vez
mais acelerado. Para melhor visualizarmos os impactos das tecnologias na cultura
contemporânea devemos dirigir nosso olhar para a educação como um processo complexo,
inacabado e em permanente evolução.
Na atual sociedade, denominada
sociedade da informação, constituída por influência decisiva dos meios de
comunicação, as culturas, os processos educacionais e as competências requeridas passam
por uma crise de significados sem precedentes. Neste contexto, damos destaque à rede
mundial de computadores, que possibilita um fluxo de informações em diversos níveis.
Tais informações não se atém somente à palavra escrita, mas constituem grande
diversidade. São elas: textos, gráficos, som ou imagens, arquivos de áudio ou vídeo.
Elas transformam nossa relação com o espaço e com o tempo numa velocidade nunca antes
vivenciada, dando-nos uma nova percepção de mundo, no qual nossos relacionamentos,
inclusive com os saberes, convertem-se em espaços de fluxos, criando e desfazendo
verdades, competências e habilidades.
A partir do rompimento dos padrões espaciais em redes
interativas, o espaço de fluxos passou a substituir o espaço de
lugares (CASTELLS, 2000). A inovação reside na organização corporal das
seqüências de intercâmbio e interações intencionais, suporte das práticas sociais de
tempo compartilhado. Este espaço imaterial de fluxos realiza um processo de
desmaterialização das relações sociais e educacionais conectadas em rede. O que antes
era concreto e palpável adquire uma dimensão imaterial na forma de impulsos
eletrônicos.
O virtual é uma
nova modalidade de ser, cuja compreensão é facilitada se considerarmos o processo que
leva a ele: a virtualização. O real seria da ordem do tenho, enquanto
o virtual seria a ordem do terás, ou da ilusão, o que permite geralmente o
uso de uma ironia fácil para evocar as diversas formas de virtualização (LÉVY,
1996, p. 15).
O lugar virtual está apoiado em quatro eixos
primordiais, que são: o tempo-real, a desterritorialidade, imaterialidade e
interatividade. Tais aspectos possibilitam relações sociais simultâneas e acesso
imediato a qualquer parte do mundo, inaugurando uma nova percepção do tempo, do espaço
e das relações sociais. É no lugar virtual que se pode experimentar, solitariamente,
uma nova sociabilidade, compartilhando um lugar simbólico e marcado por novas relações.
Neste novo século, a sociedade se caracteriza pela vasta
quantidade de informação em fluxo e por seu conseqüente acesso, bem como a acelerada
alteração e atualização da informação. Neste contexto, a familiarização com novas
tecnologias da informação e a contínua atualização de conhecimentos serão
necessários, potencializando ainda mais a influência da tecnologia sobre diversos
aspectos da atividade humana relacionados à aprendizagem.
A educação contemporânea mostra que os atuais paradigmas não
atendem mais o momento atual, visto a velocidade e quantidade de informações. Como o
conhecimento tornou-se dinâmico, precisamos fazer novas conexões de fatos e
informações, pois tudo está sistematizado. Os meios de produção mudaram para o
paradigma da produção enxuta em lugar da produção em massa. Essa nova visão mostra a
necessidade de um perfil diferenciado de cidadão para conviver na sociedade da
informação e da tecnologia.
Torna-se importante, então, distinguirmos informação e
conhecimento. A informação é a matéria-prima ainda não processada. Já o conhecimento
seria a sistematização destas informações em saberes. Na segunda parte do século XX
houve uma crescente especialização nas escolas, fazendo com que os conhecimentos fossem
menos amplos que no passado, mas com uma maior profundidade. Hoje, é necessária uma
menor preocupação com a acumulação do conhecimento, com sua construção a partir de
informações que devem ser pesquisadas dentro de contextos significativos e reflexões
críticas.
Atualmente, a velocidade com que circulam e são produzidas as
informações, os conhecimentos passam a ser constantemente revistos, modificados ou
sistematizados. O avanço das técnicas de comunicação ampliou notavelmente o alcance de
conhecimentos compartilháveis.
Na sociedade da informação, a disseminação de novos
paradigmas científicos aliados à presença de uma economia globalizada, assim como o
crescente avanço das tecnologias digitais, exigem respostas coerentes de todo segmento
educacional. Percebemos que o ato pedagógico precisa ser analisado e revisto de forma
estrutural em suas concepções epistemológicas, na reformulação dos currículos e,
principalmente, nas abordagens didáticas.
As tecnologias intelectuais da pós-modernidade com
seus suportes hipertextuais, interconectados, reticulares, interativos e múltiplos
questionam a escola e sua compartimentalização disciplinar, suas grades curriculares
tão pouco propícias ao diálogo entre os saberes. O mundo digital no qual cada navegante
é um autor de seus próprios percursos, questiona a escola e sua incapacidade de
personalização... (RAMAL, 2002, p. 15).
Assim a internet, conectada a outras possibilidades digitais
permite o acesso a bancos de informação que se proliferam geometricamente no
ciberespaço. Nesse contexto, os professores devem assumir posturas novas e diferenciadas,
ensinando e levando o educando à aprendizagem de forma colaborativa, na investigação e
na pesquisa às informações existentes na rede.
A abordagem pedagógica da aprendizagem colaborativa e a
distância vem ganhando força cada vez maior, constituindo-se na modalidade educacional
apropriada, para atividades coletivas em redes de produção de conhecimento nos meios
digitais de comunicação, como a Internet. Como conhecimento é visto como uma
construção social, o processo educativo via ciberespaço é favorecido pela
participação social em um ambiente que propicia a colaboração, a avaliação e o
acesso a infinitos saberes universais, não totalizáveis e ricos em possibilidades que
propiciam uma visão mais ampla do objeto de estudo, amplificando, assim, a aprendizagem
individual de cada membro do grupo.
O aprendizado
colaborativo, mediado pelas tecnologias interativas de informação e comunicação, vem
de encontro à sociedade da informação como possibilidade no atendimento às demandas
advindas das novas relações e percepções da realidade e produção de conhecimento. Os
desafios, as ameaças e as possibilidades características da contemporaneidade exigirão,
cada vez mais, o desenvolvimento de abordagens pedagógicas capazes de desenvolver
competências e habilidades e, conseqüentemente, resoluções de problemas.
Atualmente, as
demandas educacionais não estão sendo atendidas a contento pela relação da prática
didático-pedagógica tradicional com as novas formas de comunicação. Todos no sistema
escolar devem estar preparados para dominar os meios técnicos e incorpora-los a uma
prática pedagógica transformadora, cujo principal objetivo é formar um cidadão
autônomo e participativo com capacidade crítica e criadora diante dos desafios que se
apresentam a cada dia, de forma mais dinâmica e veloz. Devemos pensar em uma formação
docente que considere a existência do ciberespaço e sua influência na disseminação de
informações. Partindo dessa formação, a reflexão dos novos contornos que a escola vem
adquirindo e o papel do educador diante desta realidade.
Acredita-se que
esse tema deve ser refletido pelos educadores, uma vez que a inserção das tecnologias na
sociedade contemporânea já é uma realidade imposta e que vai além das formas
tradicionais e estáticas de produção de conhecimento.