Um dos objetivos da introdução dos computadores na
vida das crianças é que essa tecnologia estimule suas mentes e potencialize seu
desenvolvimento intelectual, paralelamente ao seu desenvolvimento psicossocial, uma vez
que sua coordenação motora está se estabelecendo concomitantemente a seus gostos e
relações sociais.
Podemos fundamentar a proposta de utilizar os
computadores no processo educativo desde as séries iniciais da Educação Básica em
Papert, pois segundo sua proposta o computador iria "ampliar a escola",
revolucionar a educação e reformular a mente das crianças. Sua linguagem de
programação, projetada especialmente para crianças, deveria provocar o estímulo para
essa revolução. Influenciado pelo psicólogo Jean Piaget, com quem estudou, Papert
afirma ter combinado complexas teorias de desenvolvimento infantil de Piaget com seu
próprio trabalho no campo da inteligência artificial. Essa fusão aparente levou à
criação da linguagem Logo, a partir da qual Papert esperava a sistematização do
uso de computadores no aprendizado, iniciando-se na pré-escola ou até mesmo em anos
anteriores.
No sistema educacional brasileiro a implantação de
computadores nas escolas é mais comum a partir do início do Ensino Fundamental, embora
algumas instituições iniciem esse processo desde a Educação Infantil, o que, no
entanto, não representa um número expressivo. Portanto, segundo a realidade brasileira,
os primeiros contatos da criança com o computador em seu processo de aprendizado se
darão, aproximadamente, a partir dos seis ou sete anos de idade.
Na afirmativa de Erickson, a criança dessa faixa
etária encontra-se na fase de latência; segundo a teoria freudiana, é a idade do
domínio versus inferioridade, que vai dos seis aos doze anos. A principal
realização desse estágio é a aprendizagem das habilidades tanto na escola quanto fora
dela. Em Piaget, esse período corresponde à fase de centralização, em que a criança
consegue perceber apenas um dos aspectos de um objeto ou acontecimento (estágio das
operações concretas). Ela não é capaz de relacionar a si mesma com os diferentes
aspectos e dimensões de uma situação.
Para a iniciação da criança com o computador, é
missão da escola atender a esse aprendiz, tornando significativo o seu aprendizado,
enfatizando mais o "aprender" que o "ensinar", pois o conhecimento
provoca mudanças e transformações na estrutura cognitiva. Cabe ao educador tornar o
computador uma parte do ambiente natural da criança, explorando todas as possibilidades
que o computador lhes oferece, assim como afirmava Papert, trabalhando, entre outras
questões, os softwares, para os quais grande parte da atenção está voltada,
sendo eles: Logo, softwares educacionais, softwares de
simulação e programação, softwares gráficos, entre outros.
Para a aplicação dos softwares como
ferramenta pedagógica, cabe ao educador considerar as competências intelectuais
autônomas do ser humano. Em Gardner, temos postuladas sete competências, ou
inteligências múltiplas, a saber: 1) inteligência lingüística; 2)
inteligência lógico-matemática; 3) inteligência corporal-sinestésica; 4)
inteligência musical; 5) inteligência espacial; 6) inteligência
intrapessoal; 7) inteligência interpessoal. Gardner ainda explora uma oitava
inteligência e, embora existam outras, ainda se encontram em fases de pesquisa.
Através da utilização do computador no processo
educacional, diversas habilidades podem ser desenvolvidas simultaneamente, facilitando a
formação de indivíduos polivalentes e multifuncionais, diferentemente. Espera-se que
sua utilização promova aulas mais criativas, motivadoras e dinâmicas, que envolvam os
alunos para novas descobertas e aprendizagens, proporcionando aos mesmos autonomia,
curiosidade, cooperação e socialização, principalmente quando da utilização da internet,
que possibilita diversos tipos de comunicação e interações entre as culturas de forma
bastante enriquecedora.
Portanto, durante esses primeiros contatos,
considerando o desenvolvimento intelectual e psicológico dessas crianças e o material
pedagógico trabalhado durante esse período, elas apresentam um comportamento de
interesse e motivação, embora algumas se sintam apreensivas diante desse primeiro
contato e de suas novas descobertas.